Perdoe Deus

Soraia Feuser

 

Esta semana ouvi que uma pastora, de determinada denominação, no afã de ajudar sua ovelha, e aliviar a sua dor, deu a seguinte instrução: “perdoe Deus”. E conduziu a irmã, cujo marido havia falecido, numa oração onde ela declarava que perdoava o Senhor pelo acontecido. E assim a irmã fez...

 

Fiquei pensando... PERDOAR Deus? Como assim? Isso é o mesmo que declarar, em alto e bom som, que o Senhor falhou, Ele errou! Que Ele não é perfeito, como lemos na Bíblia, mas falho e, portanto, fraco. Se a verdade fosse esta, para que serví-lo? Que inteligência há em servir a um deus que falha como eu? Como confiar em um deus assim? Aliás, inteligência tem sido tão presente nas igrejas quanto a saúde tem sido presente nos hospitais. O perdão pressupõe um pecado, um erro, uma falha. Se eu preciso perdoá-lo, é porque Ele falhou, e se Ele falha, logo Ele não é perfeitamente justo. A sua justiça será falha, o seu amor será falho, como também a sua misericórdia, a sua graça, a sua sabedoria, enfim, todos os atributos morais de Deus são completamente destruídos com estas duas palavras: “perdoe Deus”.

 

O que dizer então da santidade do Senhor. Escorreu ralo abaixo com essa declaração. Deus é totalmente santo, porque ele também é perfeito!

 

Nunca vi nenhum personagem bíblico fazendo esse tipo de oração ou declaração. Nunca vi Paulo perdoando o Senhor por tê-lo feito sofrer por causa do Seu nome. O apóstolo passou “em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo. Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos. Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez.” 2Cor 11:23-27

 

E diante de tudo isso, Paulo nunca falou que Deus estava sendo injusto com ele afligindo-o desta maneira, ou que Deus estava falhando em protegê-lo! Pelo contrário. Paulo disse: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir. Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” Rm 8:35-39 Paulo sabia que Deus o amava a despeito dos sofrimentos!

 

Esta geração é realmente muito egocêntrica. No meio cristão o “eu” tem sido venerado e elevado a um patamar inacreditável! Eu não posso sofrer, eu não posso chorar, eu não posso ficar doente, nem sentir dores ou passar por problemas, sejam de que espécie forem. Assim que estas coisas começam a acontecer, a primeira coisa que falam é: “cadê o Deus que diz que me ama? Onde Ele está? Se Ele me ama como me ensinaram, como Ele me deixa passar por tudo isso? E então, aqueles que não se afastam de vez do Senhor, adotam a postura de perdoá-Lo. Talvez pensem: “tudo bem, eu continuo amando o Senhor mesmo quando Ele falha comigo. Ele me ama quando eu falho e eu O amo quando Ele falha.” É ridículo, eu sei. Mas infelizmente é isso que vemos. O homem tem colocado a si mesmo como senhor, e posto o Senhor como servo.

 

E o que dizer de Jó? E daqueles que morreram comidos por leões, serrados ao meio como Isaías, mortos pela espada, decapitados e apedrejados como Estêvão? Será que se indignaram contra o Senhor e tiveram que perdoá-lo? Ou será que todos estes agiram como sugeriu a esposa de Jó? “Amaldiçoa o teu Deus e morre”. Ela deveria pensar que se esse Deus não servia para proteger e abençoar, então não servia pra nada. Muitos são discípulos dessa mulher ainda hoje.

 

A história conta que aqueles que morreram comidos por leões, morreram louvando ao Senhor. Jó, depois de tudo o que sofreu, amou ainda mais a Deus. Os demais? A bíblia diz que o mundo não era digno deles! Quantos homens e mulheres poderiam ainda ser mencionados, que confiaram e se firmaram Nele mesmo quando atravessaram os vales da sombra da morte.

 

Não nos esqueçamos que Deus é absolutamente perfeito, puro e íntegro em Sua natureza e Seu caráter. Ele não pode mentir, pecar, mudar ou negar-se a Si mesmo. Ele é justo e a Sua justiça é a demonstração de Sua santidade. Ele é soberano, o ser supremo do universo. Ele é o Senhor. O Deus Todo Poderoso. Criador de tudo o que há. Tem todo o poder e autoridade, inclusive sobre estes que querem perdoá-Lo.

 

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